Reprodução em português · estudo acadêmico
O impacto da IA no mercado de trabalho brasileiro
Uma abordagem quantitativa e qualitativa dos efeitos futuros de uma tecnologia revolucionária
Randstad Research2025 · 43 páginas da publicação originalResumo editorial
O que este estudo mostra
O relatório combina projeção setorial para a próxima década (a partir do WEF e da PNAD Contínua/CNAE) com pesquisa junto a mais de 800 profissionais brasileiros em 2025. Estima 9,7 milhões de postos passíveis de automatização, 7,1 milhões de novos empregos e efeito líquido potencial de cerca de −2,6 milhões; 27% dos respondentes já usam IA diariamente, mas 77% dos empregados não recebem formação em IA da empresa.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Postos passíveis de automatização | 9,7 milhões (9,5%) |
| Postos com ganho de produtividade | 17,3 milhões (16,9%) |
| Novos postos criados pela expansão da IA | 7,1 milhões |
| Efeito líquido (automatização − criação) | ≈ −2,6 milhões |
| Profissionais que usam IA diariamente (pesquisa 2025) | 27% |
| Empregados sem formação em IA na empresa | 77% |
Valores e definições conforme a publicação original.
Texto do estudo
Introdução
A Inteligência Artificial (IA) surgiu recentemente nas economias e nos mercados de trabalho mundiais. Embora ainda esteja dando os primeiros passos no que respeita às suas aplicações profissionais e potencial, o certo é que está transformando a forma como muitos profissionais trabalham em diversos setores.
Ao mesmo tempo, está trazendo aspectos de grande relevância: o grande potencial de ganhos de eficiência; o fato de muitas empresas e trabalhadores poderem se beneficiar desta nova tecnologia, enquanto outros temem perder os seus empregos à medida que as tarefas diárias são automatizadas; além disso, há questões éticas subjacentes à sua utilização e a incerteza sobre os seus efeitos no nível econômico.
Para analisar as diferentes implicações da IA no mercado de trabalho brasileiro, a Randstad Research realizou este estudo, estruturado em três blocos: (1) introdução e contexto; (2) mercado de trabalho brasileiro e os diferentes efeitos da IA (incluindo síntese de relatórios internacionais e estimativa quantitativa nacional); (3) perspectiva dos profissionais brasileiros, com pesquisa de opinião.
Relatórios internacionais
1. A IA veio para ficar
A IA continua atraindo um volume significativo de investimento privado: o investimento em 2024 cresceu para US$ 252,3 bilhões, um aumento de 25,5%.1
2. É uma das tecnologias que mais pode transformar o mercado de trabalho
Existe consenso sobre o poder transformador da Inteligência Artificial no mercado de trabalho, mas ainda é muito cedo para determinar seu verdadeiro impacto no emprego, devido à baixa adoção e a outros fatores.2
3. Sua utilização irá acelerar a automatização de tarefas
A IA generativa acelera a automação de tarefas para reduzir custos e aumentar a produtividade. No entanto, o impacto final no emprego depende da demanda por talentos, da disponibilidade da força de trabalho e do cronograma de adoção da tecnologia. Empregos com 50% ou mais de tarefas expostas correm risco de substituição pela IA.3
4. O impacto será localizado nas tarefas com maior utilização da linguagem
Como 62% do tempo de trabalho envolve tarefas linguísticas, funções e setores podem ser classificados de acordo com o seu grau de exposição à IA.4
5. À medida que a IA é adotada, a necessidade de competências dos profissionais irá mudar
A Inteligência Artificial exigirá o desenvolvimento de novas competências, como o pensamento criativo, o analítico e habilidades específicas em tecnologia.5
6. O impacto da IA no emprego dos países pode se traduzir em um aumento da produção (PIB)
Estima-se que 18% do trabalho global possa ser automatizado pela IA, impactando mais as economias desenvolvidas. Essa automação, ao aumentar a produtividade, pode elevar o PIB mundial anual em 7%. Contudo, o impacto final dependerá da capacidade de desenvolvimento e adoção.3
7. Apesar das grandes expectativas em relação à IA, a adoção pelas empresas ainda é inicial
Segundo o IBGE, apenas 16,9% das indústrias brasileiras (com 100 ou mais empregados) adotaram soluções de Inteligência Artificial em suas operações.6 Em contrapartida, 74% das micro, pequenas e médias empresas no Brasil já integram IA de alguma forma, segundo relatório citado pela Randstad.7
8. A baixa adoção deve-se a vários obstáculos
Internamente, a maior barreira é a falta de competências e o custo. Externamente, destacam-se a falta de financiamento e as normas rigorosas de partilha de dados. As questões éticas também são um entrave transversal.8
9. Embora o uso da IA se generalize, ela levanta questões éticas e receios
A principal preocupação é a perda de emprego: 60% dos trabalhadores temem ser substituídos pela Inteligência Artificial.8
10. A regulamentação da IA, em fase inicial globalmente, é essencial para mitigar receios
No Brasil, o processo está em desenvolvimento (incluindo o Projeto de Lei 759/23 e o Projeto de Lei 2.338/2023). Outras nações (EUA, China, Reino Unido) e entidades internacionais (OCDE, UNESCO) também atuam para estabelecer um quadro regulatório para a tecnologia.
Análise quantitativa
Metodologia
O objetivo deste bloco é fazer uma estimativa quantitativa do impacto que a IA pode ter no mercado de trabalho brasileiro com um horizonte de uma década.
Como ponto de partida, o relatório toma as estimativas do World Economic Forum em Jobs of Tomorrow: Large Language Models and Jobs (setembro de 2023) sobre os efeitos esperados da IA no mercado de trabalho global, por ocupações e setores.
Com base nessa informação, e com referência à estrutura produtiva e ocupacional da economia brasileira do IBGE — usando a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0) — foi calculado o impacto no mercado de trabalho nacional. Para o emprego de 2024, usou-se a média dos dados trimestrais de ocupação da PNAD Contínua (IBGE).
Nota metodológica do relatório: para calcular o potencial da IA sobre o emprego, a projeção analisa o impacto da tecnologia de forma isolada. Isso significa que o estudo mostra o que aconteceria com o nível de emprego se a IA fosse a única variável a mudar no mercado brasileiro, ignorando fatores fiscais, econômicos ou outras tecnologias.
Quatro efeitos no mercado de trabalho
A partir da análise, o relatório classifica quatro efeitos:
Automatização. Postos de trabalho existentes em 2024 que, devido às suas características, têm alta probabilidade de deixar de ser executados por pessoas e ser substituídos pela IA. Trata-se de trabalhos em risco de automatização e que podem, potencialmente, ser destruídos.
Aumento da produtividade. Empregos atuais suscetíveis de utilizar a IA de forma complementar, elevando a produtividade dos profissionais. São empregos que não estão desaparecendo, mas sendo reforçados; em muitos casos, as competências necessárias para continuar a desempenhá-los mudarão.
Pouco ou nenhum efeito. Empregos atuais que não serão afetados nos próximos anos pela IA, porque a tecnologia não tem papel nas funções desenvolvidas, ou sua contribuição é residual.
Criação. Novos postos de trabalho (não existentes em 2024) que surgirão com a expansão da atividade empresarial das aplicações de IA. O objetivo é medir a criação que poderá compensar as perdas por automatização.
A soma dos quatro efeitos projeta o número de empregos em 2034 sob a hipótese de que a única variável a afetar o mercado seja a expansão das aplicações de IA. Não é uma estimativa do nível real de emprego no Brasil em 2034, nem contempla fatores tecnológicos não ligados à IA, questões fiscais, regulatórias ou internacionais.
Impacto agregado no emprego brasileiro
O uso de IA pelas empresas no Brasil ainda está em fase relativamente inicial, mas espera-se grande expansão da adoção na próxima década. A utilização generalizada dessa tecnologia afetará os postos existentes:
- 9,5% dos postos atuais (9,7 milhões de empregos) poderiam ser automatizados;
- 16,9% dos postos atuais (17,3 milhões) poderiam se beneficiar da IA para aumentar a produtividade;
- para os empregos restantes (75,2 milhões), quase três em cada quatro, não são esperados efeitos significativos na próxima década como consequência direta da expansão da IA;
- a expansão da IA criaria 7,1 milhões de novos postos de trabalho que não existem atualmente.
A estimativa do efeito líquido (automatização − criação) aponta para uma perda potencial de cerca de 2,6 milhões de empregos nos próximos 10 anos.
Figura: estimativa do efeito da IA sobre o emprego no Brasil. Donut com a composição dos postos existentes e barras por natureza do impacto. Fonte: elaboração própria, Randstad Research. Dados de emprego do IBGE.

Tabela 1. Dados da figura — efeito da IA sobre o emprego no Brasil
| Natureza do impacto | Postos (volume) | Participação nos empregos existentes |
|---|---|---|
| Emprego 2024 (base do gráfico agregado) | 120.200.686 | — |
| Automatização | −9.704.819 | 9,5% |
| Criação de novos postos | +7.116.343 | — |
| Aumento da produtividade (postos existentes) | 17.311.316 | 16,9% |
| Pouco ou nenhum efeito | 75.184.552 | 73,6% |
| Efeito líquido (automatização − criação) | ≈ −2,6 milhões | — |
Fonte: elaboração própria, Randstad Research. Dados de emprego do IBGE.
Nota de leitura: o relatório apresenta tanto a base de cerca de 102,2 milhões de empregados por atividade econômica (tabela setorial) quanto o total de 120,2 milhões no gráfico agregado do emprego 2024. Os percentuais de 9,5% / 16,9% / 73,6% e os volumes de automatização, produtividade e “sem impacto” são os do recorte setorial totalizado em 102,2 milhões; o efeito líquido de cerca de 2,6 milhões corresponde a 9,7 milhões de postos em risco de automatização menos 7,1 milhões de criação.
Setores com maior impacto absoluto
A expansão da IA nos processos produtivos trará mudanças substanciais no emprego na maioria dos setores, com os quatro efeitos atuando com maior ou menor intensidade. Dependendo do setor, o efeito líquido resultará em aumento ou diminuição do emprego.
O comércio e reparação de veículos é o setor com maior impacto absoluto, com risco de automação de mais de 2,5 milhões de postos. Com saldo líquido negativo de 968,4 mil empregos, lidera a perda esperada de vagas em função da IA, seguido pelas atividades administrativas (perda líquida de 787,3 mil).
No extremo oposto, o setor de tecnologia da informação deve criar a maior quantidade líquida de postos: mais de 403,9 mil novas vagas, com saldo líquido positivo de aproximadamente 190,7 mil postos.
Figura: efeito da IA sobre o emprego existente em setores selecionados. Volumes de automatização, criação e produtividade. Fonte: elaboração própria, Randstad Research.

Tabela 2. Dados da figura — impacto absoluto em setores selecionados
| Setor | Automatização | Criação | Produtividade |
|---|---|---|---|
| Comércio e serviços / reparação de veículos | 2.517.821 | 1.549.428 | 2.905.178 |
| Atividades administrativas | 926.170 | 138.926 | 1.389.255 |
| Indústria — manufatura | 703.298 | 562.639 | 703.298 |
| Transporte, armazenagem e correio | 694.050 | 462.700 | 1.041.074 |
| Hotelaria e alimentação | 668.433 | 334.216 | 891.243 |
| Educação | 632.632 | 702.925 | 1.687.020 |
| Indústria alimentícia, calçados e têxtil | 521.382 | 426.586 | 710.976 |
| Atividades profissionais, científicas e técnicas | 413.946 | 579.525 | 1.324.627 |
| Construção | 377.922 | 151.169 | 680.259 |
| Saúde humana e serviços sociais | 310.922 | 496.938 | 1.552.932 |
Fonte: elaboração própria, Randstad Research.
Setores com maior potencial percentual de automatização
Os setores que mais utilizarão a IA na próxima década serão, em geral, aqueles com maior proporção de processos de produção automatizáveis. No topo: atividades administrativas (20%), tecnologia da informação (19%) e telecomunicações (18%).
Figura: setores com maior potencial de automatização impulsionada por IA. Fonte: elaboração própria, Randstad Research.

Tabela 3. Dados da figura — potencial de automatização por setor
| Setor | Potencial de automatização |
|---|---|
| Atividades administrativas | 20% |
| Tecnologia da informação | 19% |
| Telecomunicações | 18% |
| Atividades financeiras | 16% |
| Imprensa, produção de vídeo, TV e rádio | 16% |
| Atividades imobiliárias | 15% |
| Seguros e previdência | 15% |
| Comércio e serviços | 13% |
| Hotelaria e alimentação | 12% |
| Transporte, armazenagem e correio | 12% |
Fonte: elaboração própria, Randstad Research.
Setores com maior potencial de criação de novos empregos
A IA não apenas impactará ocupações existentes por meio da automatização: também atuará como motor de criação de postos que sequer existem atualmente. Os ganhos de eficiência, junto com novas indústrias, serviços e modelos de negócio, impulsionarão a demanda por profissionais com habilidades inéditas. A magnitude desse efeito será desigual entre setores.
Os maiores efeitos percentuais: tecnologia da informação (36%), telecomunicações (25%) e imprensa, produção de vídeo, TV e rádio (18%). Até dez setores experimentariam o surgimento de novas ocupações a uma taxa média de cerca de 15% do tamanho atual.
Figura: setores com maior potencial de criação de novos empregos. Fonte: elaboração própria, Randstad Research.

Tabela 4. Dados da figura — potencial de criação de novos empregos
| Setor | Criação relativa ao tamanho atual |
|---|---|
| Tecnologia da informação | 36% |
| Telecomunicações | 25% |
| Imprensa, produção de vídeo, TV e rádio | 18% |
| Atividades financeiras | 16% |
| Atividades profissionais, científicas e técnicas | 14% |
| Educação | 10% |
| Atividades imobiliárias | 10% |
| Seguros e previdência | 10% |
| Eletricidade e gás | 9% |
| Indústria alimentar, têxtil e de calçados | 9% |
Fonte: elaboração própria, Randstad Research.
Setores com maior potencial de aumento da produtividade
A utilização da IA no trabalho impulsionará o aumento da produtividade em vários setores, com projeções que superam 30% em alguns casos. Tecnologia da informação lidera (40%), seguida de imprensa/audiovisual (38%) e seguros (37%).
Figura: setores com maior potencial de aumento da produtividade. Fonte: elaboração própria, Randstad Research.

Tabela 5. Dados da figura — potencial de aumento da produtividade
| Setor | Aumento de produtividade projetado |
|---|---|
| Tecnologia da informação | 40% |
| Imprensa, produção de vídeo, TV e rádio | 38% |
| Seguros e previdência | 37% |
| Atividades financeiras | 36% |
| Atividades profissionais, científicas e técnicas | 32% |
| Atividades administrativas | 30% |
| Telecomunicações | 27% |
| Saúde humana e serviços sociais | 25% |
| Atividades imobiliárias | 25% |
| Educação | 24% |
Fonte: elaboração própria, Randstad Research.
Setores pouco impactados
Embora a IA prometa transformar o mercado de trabalho, o impacto será residual em áreas específicas da economia. Atividades do setor primário, indústrias extrativas e construção concentram a maior parcela de empregos com pouco ou nenhum efeito.
Figura: setores com menor potencial de efeito da IA sobre o emprego. Percentual de postos com pouco ou nenhum impacto. Fonte: elaboração própria, Randstad Research.

Tabela 6. Dados da figura — setores com pouco ou nenhum efeito da IA
| Setor | Empregos com pouco ou nenhum efeito |
|---|---|
| Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca | 92% |
| Atividades de organizações associativas | 88% |
| Indústrias extrativas | 88% |
| Construção | 86% |
| Administração pública, defesa e seguridade social | 82% |
| Serviços domésticos | 81% |
| Água, esgoto, gestão de resíduos e descontaminação | 81% |
| Comércio e serviços | 80% |
| Indústria — manufatura | 79% |
| Eletricidade e gás | 77% |
Fonte: elaboração própria, Randstad Research.
Setores com atividades predominantemente manuais, percepção em ambientes não estruturados, forte interação humana ou decisão contextual complexa tendem a ser menos suscetíveis à substituição ou transformação pela IA na próxima década.
Tabela setorial completa (emprego 2024 e efeitos)
Apesar de 9,7 milhões de postos serem passíveis de automação, a IA pode impulsionar a criação de 7,1 milhões de novos empregos. Dos 102,2 milhões de empregados no recorte setorial de 2024, 9,7 milhões estariam suscetíveis à automação; 16,8 milhões poderiam se beneficiar da IA para produtividade; e a economia mais produtiva geraria 7,1 milhões de novos postos.
Tabela 7. Empregados por atividade econômica e efeitos estimados da IA
| Atividade econômica | 2024 | Automatização | Criação | Produtividade | Sem efeito |
|---|---|---|---|---|---|
| Agricultura e produção animal | 7.948.012 | 238.440 | 79.480 | 397.401 | 7.312.171 |
| Indústrias extrativas | 572.214 | 34.333 | 11.444 | 34.333 | 503.548 |
| Indústria alimentar, têxtil e de calçados | 4.739.845 | 521.383 | 426.586 | 710.977 | 3.507.485 |
| Indústria transformadora | 7.032.984 | 703.298 | 562.639 | 703.298 | 5.626.387 |
| Eletricidade e gás | 269.398 | 26.940 | 24.246 | 29.634 | 212.824 |
| Água, esgoto e gestão de resíduos | 492.402 | 39.392 | 39.392 | 49.240 | 403.769 |
| Construção | 7.558.436 | 377.922 | 151.169 | 680.259 | 6.500.255 |
| Comércio e reparação de veículos | 19.367.853 | 2.517.821 | 1.549.428 | 2.905.178 | 13.944.854 |
| Transportes, armazenagem e correio | 5.783.748 | 694.050 | 462.700 | 1.041.075 | 4.048.623 |
| Hospedagem e alimentação | 5.570.274 | 668.433 | 334.216 | 891.244 | 4.010.597 |
| Imprensa, prod. de vídeo, TV e rádio | 241.061 | 38.570 | 43.391 | 91.603 | 110.888 |
| Telecomunicações | 487.179 | 87.692 | 121.795 | 131.538 | 267.948 |
| Tecnologia da informação | 1.122.025 | 213.185 | 403.929 | 448.810 | 460.030 |
| Atividades financeiras | 1.036.897 | 165.903 | 114.059 | 373.283 | 497.710 |
| Seguros, previdência e auxiliares | 544.851 | 81.728 | 54.485 | 201.595 | 261.529 |
| Atividades imobiliárias | 727.943 | 109.191 | 72.794 | 181.986 | 436.766 |
| Atividades profissionais, científicas e técnicas | 4.139.461 | 413.946 | 579.525 | 1.324.628 | 2.400.888 |
| Atividades administrativas | 4.630.851 | 926.170 | 138.926 | 1.389.255 | 2.315.426 |
| Administração pública, defesa e seguridade social | 5.199.312 | 103.986 | 155.979 | 831.890 | 4.263.436 |
| Educação | 7.029.250 | 632.632 | 702.925 | 1.687.020 | 4.709.597 |
| Saúde humana e serviços sociais | 6.211.728 | 310.586 | 496.938 | 1.552.932 | 4.348.210 |
| Arte, cultura, esporte e recreação | 1.203.332 | 108.300 | 96.267 | 240.666 | 854.366 |
| Atividades de organizações associativas | 519.069 | 10.381 | 5.191 | 51.907 | 456.781 |
| Serviços domésticos | 5.931.595 | 296.580 | 296.580 | 593.159 | 5.041.856 |
| Organismos internacionais | 7.077 | 566 | 566 | 1.628 | 4.883 |
| Outros serviços | 3.833.894 | 383.389 | 191.695 | 766.779 | 2.683.726 |
| Total | 102.200.687 | 9.704.819 | 7.116.343 | 17.311.316 | 75.184.552 |
Fonte: elaboração própria, Randstad Research. Dados de emprego do IBGE.
Análise qualitativa
Pesquisa com profissionais brasileiros
A utilização da IA para fins produtivos já é uma realidade para empresas e profissionais no Brasil. Mesmo sendo algo recente no contexto nacional — com utilização ainda moderada em tipo de funções e em número de empresas e profissionais — a tecnologia já faz parte do conjunto com grande potencial futuro.
Por essa razão, a Randstad Research realizou uma pesquisa no primeiro semestre de 2025 para abordar qualitativamente aspectos de interesse relacionados com a IA envolvendo empresas e profissionais no Brasil.
Para complementar a análise quantitativa, o bloco qualitativo foca a perspectiva de mais de 800 profissionais brasileiros (empregados e desempregados). O objetivo foi captar percepções, expectativas e preocupações em relação à Inteligência Artificial no mercado de trabalho. Os aspectos essenciais do questionário foram:
- Utilização da IA: grau de uso nas funções atuais e no processo de busca de emprego.
- Percepções e expectativas: impacto na empregabilidade, competências e salários.
- Preocupações: receios de substituição e perda de emprego.
Amostra
Entre os respondentes, 53% se identificaram como mulheres e 47% como homens. A escolaridade concentra-se no ensino médio (cerca de 67% da base apresentada no relatório), com parcelas menores de ensino fundamental, bacharelado, licenciatura e mestrado.
Quanto ao status profissional: 62% estavam empregados e sem intenção de mudança; 17% empregados mas dispostos a ouvir ofertas; 13% empregados e ativamente à procura de novo desafio; 7% desempregados e ativamente à procura; 1% sem trabalho e sem procura. Entre os empregados, 61% não ocupavam cargo de liderança; 24% tinham liderança sem gerir equipes; 15% tinham liderança e geriam equipes.
Fonte: Randstad Research. Base: todos os profissionais (e empregados, conforme o recorte).
Uso da IA no trabalho
Um em cada quatro profissionais já utiliza IA no trabalho diário. Metade dos profissionais entrevistados afirma utilizar a IA de alguma forma na empresa. Mais de um em cada quatro (27%) já usa a IA no trabalho diário; outros 18,9% interagem com ela de outras formas. Ainda assim, 25,5% relatam que a IA não é utilizada na empresa, e 12,2% não sabem qual é o nível de utilização na organização.
Figura: interação com a IA em contexto profissional. Fonte: Randstad Research. Base: profissionais empregados.

Tabela 8. Dados da figura — interação com a IA no trabalho
| Situação | Percentual |
|---|---|
| Utilizo a IA no meu trabalho diariamente | 27,0% |
| Interajo com a IA de outras formas | 18,9% |
| Os colaboradores sob minha responsabilidade utilizam a IA | 3,1% |
| Desenvolvo aplicações de IA | 1,0% |
| As tecnologias de IA não são utilizadas na minha empresa | 25,5% |
| Não tenho qualquer interação com IA no trabalho | 12,2% |
| Não sei | 12,2% |
Fonte: Randstad Research. Base: profissionais empregados. Cinquenta por cento dos profissionais usam a IA de alguma forma no âmbito profissional (soma das formas de uso ativo).
Formação em IA nas empresas
Apesar do uso crescente, a maioria dos profissionais ainda não recebeu formação relacionada à IA na empresa. 77% dos profissionais empregados afirmam que a empresa não oferece esse tipo de formação; apenas 23% têm acesso a treinamento em IA.
Há desconexão entre oferta de formação e interesse: 70,7% ainda não estão se formando, mas gostariam; 16,9% já estão se formando; 9,2% consideram a formação indiferente para a profissão; 3,2% não acreditam nos benefícios da utilização da IA.
Figura: formação em IA na empresa e interesse dos profissionais. Fonte: Randstad Research. Base: profissionais empregados / todos os profissionais.

Tabela 9. Dados da figura — formação e interesse em competências de IA
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Empresa oferece formação em IA (sim) | 23% |
| Empresa não oferece formação em IA (não) | 77% |
| Já estou fazendo formação relacionada à IA | 16,9% |
| Ainda não estou fazendo, mas gostaria | 70,7% |
| Para a minha profissão é indiferente | 9,2% |
| Não acredito nos benefícios da utilização da IA | 3,2% |
Fonte: Randstad Research. Oferta de formação: base profissionais empregados. Interesse em formação: base todos os profissionais.
Percepções de quem usa IA
Entre profissionais que utilizam a IA, a percepção é mais positiva do que negativa. A mais consensual é o aumento de produtividade (47,9% de concordância parcial + total). A IA também é vista como ferramenta que torna o trabalho mais divertido e que ajuda a tomar decisões melhores e mais rápidas.
Há menos consenso sobre redução de riscos no trabalho e sobre mudança radical na forma de trabalhar.
Figura: influência da IA utilizada na empresa. Escala de concordância em produtividade, riscos, ambiente, decisões e mudança de forma de trabalhar. Fonte: Randstad Research. Base: profissionais que utilizam IA.

Tabela 10. Dados da figura — influência da IA no trabalho (escala completa)
| A IA… | Concordo parcialmente | Concordo totalmente | Discordo parcialmente | Discordo totalmente | Neutro |
|---|---|---|---|---|---|
| Aumentou a minha produtividade | 25,3% | 22,6% | 15,1% | 16,4% | 20,5% |
| Reduziu os riscos que corro no meu trabalho | 19,9% | 12,3% | 17,1% | 24,7% | 26,0% |
| Melhorou o ambiente de trabalho na minha empresa e equipe | 18,5% | 13,0% | 20,5% | 19,9% | 28,1% |
| Tornou o meu trabalho mais divertido | 26,0% | 15,8% | 17,8% | 17,1% | 23,3% |
| Mudou radicalmente a minha forma de trabalhar | 24,0% | 13,0% | 17,1% | 22,6% | 23,3% |
| Me ajuda a tomar melhores decisões | 26,7% | 18,5% | 19,9% | 15,8% | 19,2% |
| Permite que eu tome decisões mais rapidamente | 24,7% | 20,5% | 19,2% | 18,5% | 17,1% |
Fonte: Randstad Research. Base: profissionais que utilizam IA.
Desempregados e busca por emprego
Uma parte considerável dos profissionais desempregados acredita que a IA pode ser útil na busca por emprego, mas ainda menos na preparação para entrevistas:
- 51,7% consideram a IA valiosa na busca por emprego;
- 47,4% acreditam que a tecnologia pode ajudá-los a assumir novas funções;
- 56,3% discordam totalmente que a IA tenha tido influência direta na perda do emprego;
- 45,9% discordam que a IA os tenha ajudado na construção do currículo ou na preparação para entrevistas.
Salários em cinco anos
Há grande incerteza e visão cautelosa sobre o impacto da IA nos salários no horizonte de cinco anos. Predominam expectativas de estabilidade: 37% para o próprio salário, 40,9% para o salário médio da empresa e 38% para o do setor. Apenas cerca de 25% a 29% esperam aumento, conforme o nível. Aproximadamente 22% a 23% não sabem qual será o impacto.
Figura: efeito esperado da utilização progressiva da IA nos salários em 5 anos. Estável, diminuição, aumento e incerteza — para o próprio salário, o da empresa e o do setor. Fonte: Randstad Research. Base: todos os profissionais.

Tabela 11. Dados da figura — efeito esperado da IA nos salários em 5 anos
| Recorte | Continuará estável | Diminuirá com a IA | Aumentará com a IA | Não sei |
|---|---|---|---|---|
| Em relação ao próprio salário | 37,0% | 11,5% | 29,4% | 22,1% |
| Em relação ao salário médio da empresa | 40,9% | 10,5% | 25,2% | 23,4% |
| Em relação ao salário médio do setor | 38,0% | 11,3% | 28,3% | 22,5% |
Fonte: Randstad Research. Base: todos os profissionais.
Preocupação com perda de emprego
A preocupação com perda de emprego devido à IA aumenta conforme se alonga o horizonte. No curto prazo, 45,8% estão muito ou um pouco preocupados; em 10 anos, a preocupação atinge 54,4%.
Figura: preocupação com perda de emprego por adoção de IA. Horizontes de 1, 5 e 10 anos. Fonte: Randstad Research. Base: todos os profissionais.

Tabela 12. Dados da figura — preocupação com perda de emprego
| Horizonte | Muito preocupado | Um pouco preocupado | Nada preocupado | Não sei |
|---|---|---|---|---|
| No próximo ano | 13,2% | 32,6% | 44,1% | 10,1% |
| Nos próximos 5 anos | 19,9% | 34,9% | 33,5% | 11,6% |
| Nos próximos 10 anos | 26,7% | 27,7% | 31,1% | 14,5% |
Fonte: Randstad Research. Base: todos os profissionais.
Dificuldade de encontrar emprego no futuro
Quatro em cada dez profissionais estão muito preocupados com a dificuldade de encontrar emprego na próxima década. A preocupação cresce com o horizonte: 55,5% no próximo ano; 63,4% em 5 anos; 65,1% em 10 anos (muito + um pouco preocupados).
Figura: preocupação com dificuldade de encontrar emprego no futuro. Fonte: Randstad Research. Base: todos os profissionais.

Tabela 13. Dados da figura — dificuldade de encontrar emprego no futuro
| Horizonte | Muito preocupado | Um pouco preocupado | Nada preocupado | Não sei |
|---|---|---|---|---|
| No próximo ano | 19,4% | 36,1% | 36,8% | 7,7% |
| Nos próximos 5 anos | 25,4% | 38,0% | 27,4% | 9,2% |
| Nos próximos 10 anos | 32,0% | 33,1% | 23,5% | 11,4% |
Fonte: Randstad Research. Base: todos os profissionais.
Competências
53% dos profissionais acreditam que precisam desenvolver competências relacionadas à IA para melhorar a empregabilidade. Apesar de 58,8% discordarem que a IA reduz o valor de suas competências atuais, apenas 34,9% afirmam ter habilidades específicas ligadas a essa tecnologia. 46% veem a IA como complemento às competências atuais.
Figura: efeito da IA nas competências. Escala de concordância. Fonte: Randstad Research. Base: todos os profissionais.

Tabela 14. Dados da figura — efeito da IA nas competências (escala completa)
| Afirmação | Concordo parcialmente | Concordo totalmente | Discordo parcialmente | Discordo totalmente | Neutro |
|---|---|---|---|---|---|
| A IA reduz o valor de algumas das minhas competências | 14,2% | 5,9% | 28,1% | 30,7% | 21,1% |
| Tenho competências específicas ligadas à IA | 22,6% | 12,3% | 21,7% | 21,5% | 21,9% |
| Preciso desenvolver competências em IA para a empregabilidade | 19,8% | 33,2% | 17,4% | 16,4% | 13,2% |
| A IA complementa as minhas competências | 25,8% | 20,2% | 20,3% | 16,4% | 17,3% |
Fonte: Randstad Research. Base: todos os profissionais.
Como lidar com a mudança
O relatório fecha com três mensagens de enquadramento:
Déficit estrutural e falha de habilidades. O maior risco à IA não é a tecnologia, mas a estrutura. O Workpulse 2025 da Randstad conclui que o déficit estrutural é o principal entrave para a inovação, usando como evidência este relatório: 77% dos profissionais empregados não recebem treinamento em IA das empresas.
Liderança como mediação e amplificação da IA. O sucesso exige que o líder abandone o modelo de comando e controle para se tornar mediador entre pessoas e sistemas — priorizando agilidade, sabendo onde a IA amplifica o potencial e onde a intuição humana é insubstituível.
Viabilidade e criação de valor. A análise quantitativa (isolada para medir o potencial) confirma a IA como motor de crescimento: a tecnologia pode criar 7,1 milhões de novos empregos e amplificar a produtividade, reforçando que o talento é o catalisador final da viabilidade.
Créditos e fonte oficial
- Autoria: Randstad Research
- Título: O impacto da IA no mercado de trabalho brasileiro: uma abordagem quantitativa e qualitativa dos efeitos futuros de uma tecnologia revolucionária
- Organização: Randstad Brasil Recursos Humanos Ltda.
- Contato institucional (relatório): researchbr@randstad.com.br
- Hub de estudos: randstad.com.br/estudos-de-mercado
- Landing do relatório: insights.randstad.com.br/relatório-ia-randstad-research
- PDF oficial: Baixar o PDF na fonte Randstad
Como citar (editorial Profissões.org.br): Randstad Research (2025). O impacto da IA no mercado de trabalho brasileiro. Randstad Brasil. Disponível em o PDF oficial acima.
Aviso de créditos: este material é de autoria da Randstad Research. A página em Profissões.org.br não substitui a publicação oficial; serve à leitura web, à citação rastreável e ao contexto brasileiro de ocupações. Direitos autorais e interpretação metodológica permanecem com a fonte primária.