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Fundamentação arquitetural · Profissões.org.br · 27 jul. 2026

Atividades como átomo mundial

A procura por uma unidade de trabalho que atravesse a fronteira sem borrar o dado

Medido sobre CBO 2002 pin MTE 19 jul. 2026, O*NET 30.3, AEI e GDPval

Ponto de partida

Toda régua disponível para medir IA no trabalho foi calibrada em outro país

As quatro formas sérias de medir o que a IA faz com o trabalho são públicas, citáveis e úteis. Nenhuma foi construída para o Brasil: todas ancoram em identificadores de uma única economia.

Sobram duas saídas ruins. Importar a medição e engolir a distorção da tradução, ou refazer a medição inteira, coisa que nenhum país fez sozinho.

Existe uma saída que depende de achar a unidade de trabalho certa. Este ensaio percorre essa procura na ordem em que ela aconteceu: o caminho óbvio, por que ele não fecha, o número que apontou para outro lugar, e o que havia quando fomos olhar.

01

O mundo mede com uma régua só

Classe A: volumes e nível de ancoragem de cada fonte

A limitação dessas quatro medições não está na qualidade delas. Está no endereço.

A exposição teórica estima o quanto uma unidade de trabalho é alcançável por IA. Há classificação por tarefa (GPTs are GPTs e extensões), por atividade detalhada (SML) e índice ocupacional (AIOE), sobre códigos americanos.

O uso observado mede o que as pessoas de fato fazem com IA. O Índice Econômico da Anthropic publica isso por tarefa, com 2.823 tarefas recebendo sinal, e também uma camada acima, em 722 atividades detalhadas e 207 intermediárias . A Microsoft publica aplicabilidade por atividade intermediária a partir de conversas do Copilot.

A capacidade demonstrada testa o modelo contra um gabarito profissional. O GDPval faz isso com 220 tarefas em 44 ocupações.

A agência e preferência humanas perguntam o que o trabalhador quer manter, delegar ou recusar. O WORKBank é o exemplo aberto mais próximo desse eixo, e não se confunde com exposição nem com uso de produto.

Duas das quatro medem no nível de tarefa, uma no de atividade intermediária, e as quatro, sem exceção, ancoram numa taxonomia ocupacional dos Estados Unidos ou em recorte dela.

A cobertura é mais rasa do que a reputação sugere. Das 18.796 tarefas do O*NET, 15,0% têm uso observado e 1,2% têm capacidade testada. Fora dos Estados Unidos, os dois números são zero.

Nada disso é mérito nem culpa de quem construiu. Cada uma dessas medições nasceu para responder a uma pergunta doméstica, e usou o catálogo que tinha em casa. O problema aparece quando o resto do mundo precisa da resposta.

02

A ocupação não sustenta a ponte

Classe A no mecanismo · Classe B na média de colapso

O caminho intuitivo é traduzir no nível de ofício: ligue a ocupação brasileira à americana, herde o número, pronto.

A causa da falha não é erro de mapeamento. É que fronteiras entre ofícios são convenções nacionais, desenhadas para finalidades diferentes.

A CBO é instrumento administrativo. Alimenta RAIS, CAGED, acordos coletivos e benefícios, e por isso precisa nomear o ofício como a própria categoria profissional o nomeia. A classificação americana é instrumento estatístico: precisa de células com amostra suficiente para a pesquisa oficial, e por isso agrega. A europeia agrega ainda mais, com 436 grupos.

Essa escada, da mais agregada para a mais fina, mede finalidade institucional, não complexidade do mercado de trabalho. Nenhuma das três é melhor que as outras, e a granularidade da CBO é ativo dela: é o que permite pagar benefício, fiscalizar e negociar convenção no nome que o trabalhador reconhece.

No crosswalk atual, cada código americano alcançado recebe em média 2,31 ocupações brasileiras, e no caso extremo 22 ocupações da CBO colapsam num único código: contramestre de acabamento, de fiação, de malharia e mais uma centena.

Esses dois números são classe B, porque 2.457 de 2.694 rotas ainda são candidatas. A ordem de magnitude, porém, decorre da estrutura: 2.694 contra 1.016 ocupações força colapso mesmo com crosswalk perfeito.

Descartada a ocupação, a pergunta muda de lugar. Existe alguma camada em que as duas taxonomias se pareçam o suficiente para conversar?

03

O que o total absoluto esconde

Classe A: toda a tabela é contagem interna a cada fonte

Descer uma camada muda o problema, e a primeira medição deixa isso claro. O total de enunciados de atividade da CBO é muito maior que o americano, e a explicação óbvia seria o número de ofícios: a CBO tem 2,65 vezes mais ocupações.

Só que a conta não fecha por aí.

indicador Brasil EUA
ocupações no catálogo 2.694 1.016
ocupações com atividade descrita 2.573 923
enunciados de atividade 165.432 18.796
enunciados por ocupação descrita 64,3 20,4

Descontado o recorte de ofício, a diferença não desaparece: cada ocupação brasileira é descrita com 64,3 enunciados contra 20,4, um fator de 3,2 . A CBO é, por ocupação, bem mais detalhada que o catálogo americano.

A diferença não é qualidade, é finalidade. O perfil da CBO enumera: ele alimenta formação profissional, descrição de cargo e negociação coletiva, e por isso tenta listar o conjunto do que se faz no ofício. A lista americana amostra: sai de pesquisa com respondentes e publica um conjunto representativo de tarefas por ocupação. Comparar volume entre as duas, sem essa correção, não mede nada.

Ainda assim, é neste nível que a IA age, e essa é razão independente para insistir nele. Ninguém é substituído como profissional inteiro. Partes do que a pessoa faz mudam de custo, e as partes são atividades. Foi por isso que o Índice Econômico e o GDPval escolheram medir por tarefa, tendo o nível de ocupação disponível.

O nível está certo, então. A unidade, não: falta descobrir o que essas duas listas são, cada uma, antes de tentar casá-las.

04

Rótulo não é descrição

Classe A: forma medida internamente · citações do texto-fonte

Com a convergência da seção anterior, o caminho parecia resolvido: bastaria casar atividade brasileira com tarefa americana. A primeira tentativa mostrou que não.

A atividade da CBO e a tarefa do O*NET não são o mesmo tipo de objeto.

A CBO rotula. Mediana de 5 palavras, e 60,3% dos textos não passam disso.

Montar balanços e demais demonstrativos contábeis.

O O*NET descreve. Mediana de 13 palavras, com 35,2% passando de quinze.

Prepare, examine, or analyze accounting records, financial statements, or other financial reports to assess accuracy, completeness, and conformance to reporting and procedural standards.

Nenhuma das duas formas é pobre. O rótulo curto é o que permite à CBO nomear 2.694 ofícios e ser operada em registro administrativo, fiscalização e convenção coletiva. A frase longa é o que permite ao O*NET declarar o critério de qualidade do trabalho. Cada escolha cobra um preço, e o preço da frase longa aparece na leitura seguinte.

As últimas palavras dessa tarefa não são precisão adicional sobre a mesma coisa. São jurisdição. Conformidade a padrões de relatório quer dizer US GAAP, SEC, IRS. No Brasil seriam CPC, NBC e Receita Federal, com regras diferentes produzindo demonstrações diferentes.

Em alguns casos a jurisdição é o corpo inteiro da frase. Duas tarefas do contador americano:

Review taxpayer accounts, and conduct audits on-site, by correspondence, or by summoning taxpayer to office.
Audit payroll and personnel records to determine unemployment insurance premiums, workers' compensation coverage.

Intimar o contribuinte a comparecer é poder de agente fiscal americano. As duas instituições da segunda frase, no Brasil, correspondem ao seguro-desemprego e à cobertura acidentária do INSS, com estrutura de custeio e de acesso inteiramente outra.

05

Onde mora a repetição

Classe A: estrutura oficial publicada mais contagem interna

A saída apareceu num número que parecia secundário na tabela da seção 03, e que é o mais informativo dela: o fator de repetição, 3,42 contra 1,07.

Um fator de 1,07 significa que, no O*NET, quase toda tarefa pertence a uma única ocupação. O texto não circula entre ofícios. Isso é design: a tarefa é escrita dentro do contexto do ofício, e é por isso que tem 13 palavras e carrega finalidade e critério.

O compartilhamento entre ocupações acontece no degrau logo acima da tarefa. As 18.796 tarefas conectam-se a 2.087 atividades detalhadas: em média 1,27 atividades detalhadas por tarefa, com 76,8% das tarefas ligando a exatamente uma, e cerca de 11,5 vínculos de tarefa por atividade detalhada no sentido inverso. A frase ali é curta, sem contexto de ofício, e existe precisamente para ser reutilizada.

Escada O*NET, do ofício ao domínio
  1. ocupação 1.016 o ofício no recorte com tasks
  2. tarefa 18.796 piso: frase longa, escrita dentro de um ofício
  3. atividade detalhada 2.087 primeiro degrau acima da tarefa: verbo e objeto, mediana 6 palavras
  4. atividade intermediária 332 já é categoria, não ato
  5. atividade generalizada 41 domínio de trabalho

Subir a escada significa menos nós e menos contexto local. O nome “detalhada” compara essa camada com as categorias acima dela, não com a tarefa abaixo: comparada à tarefa, ela é o lado curto e sem jurisdição.

O nome oficial dessa camada, no O*NET, é atividade detalhada, DWA na sigla. É esse o nome usado daqui em diante.

Daí decorre uma confusão comum. Quando se observa a mesma descrição aparecendo dezenas de vezes no O*NET, não é uma tarefa se repetindo. É uma atividade detalhada sendo compartilhada. Repetição entre ocupações existe nas duas taxonomias; a diferença é onde ela mora.

A mesma lente na CBO: os 43.751 textos distintos não formam a camada compartilhada brasileira. São 21 vezes mais numerosos que as 2.087 atividades detalhadas e reutilizados 3,3 vezes menos. Ocupam posição intermediária: repetem demais para serem tarefas, são específicos demais para serem a camada compartilhada.

06

O campo que ninguém leu

Classe A: contagem interna ao arquivo oficial da CBO

A hipótese da seção anterior dá o endereço da busca: mesmo arquivo, outro campo. E convém ver onde esse campo mora dentro do catálogo.

  1. 10
    grande grupo

    Nível mais agregado da classificação.

  2. 48
    subgrupo principal

    Agrupa ofícios por natureza do trabalho.

  3. 193
    subgrupo

    Recorte intermediário da mesma natureza.

  4. 624
    família

    Conjunto de ocupações vizinhas, com mobilidade entre si.

  5. 2.694
    ocupação

    O código que aparece em carteira, RAIS e convenção coletiva. É aqui que a classificação termina e quase toda análise começa. Dessas, 2.573 têm perfil de atividades descrito.

dentro do registro de cada ocupação

  1. 4.122
    área

    Frase verbal curta, e nomes distintos em todo o catálogo. É a camada que este ensaio procura.

  2. 165.432
    atividade

    O que a pessoa faz, em enunciados espalhados pelas ocupações que têm perfil.

Hierarquia da CBO no pin vigente do produto, o CSV enumerativo do Ministério do Trabalho baixado em 19 jul. 2026. Os níveis acima da ocupação saem do próprio código, que carrega a hierarquia nos dígitos, então a safra é a mesma do total. A contagem de nomes distintos de área vem do perfil ocupacional publicado pelo Ministério.

Cada uma das 166.408 linhas do perfil ocupacional da CBO traz dois campos em relação de pai e filho:

área ELABORAR DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
atividade Montar balanços e demais demonstrativos contábeis

O nome da área é frase verbal no infinitivo. Mesma forma gramatical da atividade, um nível acima. Verbo mais objeto no pai, verbo mais objeto no filho.

Contamos os nomes distintos de área e comparamos a forma com a camada americana:

indicador Brasil EUA
nós 4.122 2.087
mediana de palavras 5 6
até sete palavras 84,8% 77,2%
degraus de cima por ato de baixo (média) 1,09 1,27
atos de baixo com exatamente um degrau acima 95,5% 76,8%

A segunda metade da coincidência é de relação, não só de forma. No O*NET, cada tarefa pende em média de 1,27 atividades detalhadas. Na CBO, cada rótulo de atividade pende em média de 1,09 grandes áreas, e 95,5% caem numa área só. Quase o mesmo comportamento de fan-out: camada de baixo quase monógama, camada de cima reutilizada.

Até hoje esse campo foi usado apenas como letra, de A a N, como pista de classificação. O identificador da atividade carrega o H e joga fora ELABORAR DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS.

07

Hierarquia de portabilidade

Classe A nos volumes · o critério de ótimo é argumento

Resta justificar a escolha da camada. Portabilidade se paga com conteúdo, e o preço fica visível quando os degraus são postos em ordem.

camada conteúdo EUA Brasil
ocupação máximo 1.016 2.694
tarefa e atividade nacional alto 18.796 43.751
atividade detalhada médio 2.087 4.122
atividade intermediária baixo 332 não aplicável
atividade generalizada mínimo 41 não aplicável

Portabilidade e conteúdo andam em direções opostas. Quanto mais portátil a unidade, menos ela diz sobre como o trabalho é feito. A atividade detalhada atravessa fronteiras porque perdeu o contexto de ofício.

O ótimo não é o extremo. É o nível mais alto de portabilidade em que a unidade ainda é um ato, e não uma categoria . Nos 41 generalizados já não se fala de atos: documentar e registrar informação não é algo que alguém faz numa terça-feira. Nos 332 intermediários a forma ainda é mais genérica do que a detalhada: a unidade continua categoria de agrupamento, não o ato da terça-feira.

Isso não significa camada vazia de medição. Existe publicação de uso observado nos 332 intermediários, com identificador nativo e licença aberta. Ter sinal pendurado num nó intermediário não transforma o nó em ato: o sinal descreve frequência e sucesso de uso; a unidade continua sendo agrupamento. A tese de portabilidade fica; a camada intermediária deixa de ser tratada como deserto de evidência.

A atividade detalhada é o último degrau em que a unidade ainda tem verbo e objeto de trabalho no grão fino de reuso entre ofícios. Três delas, em tradução livre: calcular informação tributária; analisar dados orçamentários ou contábeis; relatar informação a gestores.

08

A arquitetura que decorre

Classe A na herança oficial entre tarefa e atividade detalhada

Com a camada escolhida, a arquitetura se escreve sozinha, e ela divide o problema em duas metades desiguais.

Brasil · área 4.122 frase curta, reutilizada entre ofícios
publicada no arquivo 1,09 área por atividade
Brasil · atividade 43.751 rótulo do que a pessoa faz
identidade ato contra ato por provar
EUA · atividade detalhada 2.087 frase curta, reutilizada entre ofícios
722 com uso observado direto
publicada na fonte 23.850 relações · 1,27 por tarefa
EUA · tarefa 18.796 descrição com finalidade e critério
sinal próprio de tarefa, quando publicado
Duas ligações verticais existem publicadas: cada catálogo declara qual unidade de baixo pertence a qual unidade de cima. A ligação horizontal é a única que ninguém publicou, e é a única que exige julgamento. Cada sinal de IA permanece na unidade onde foi medido, DWA ou tarefa, nunca no nó de identidade.
  1. 01
    Identidade vai para a atividade detalhada

    É a única aresta que precisa ser provada. Compara objetos do mesmo tipo, contra 2.087 alvos em vez de 18.796.

  2. 02
    A relação estrutural liga atividade detalhada e tarefa

    Por estrutura que o próprio O*NET publica, em 23.850 relações oficiais. A ligação é determinística; sinais continuam na unidade em que foram medidos.

Metade do problema de autoridade desaparece por construção, e a metade que sobra mira 9 vezes menos alvos.

A herança, porém, não é o único caminho. O Índice Econômico publica uso observado também no nível da atividade detalhada: 722 nós com sinal próprio, 34,6% do catálogo , mais 207 atividades intermediárias, casáveis ao pin O*NET 30.3 por título normalizado, não pelo identificador I-format da safra de origem. No período público mais recente, centenas dessas atividades detalhadas já carregam modo de uso observado no próprio átomo (collaboration_bucket_automation_pct). Onde o sinal já mora no átomo, herdar da tarefa é desnecessário e proibido: a métrica da tarefa classifica a tarefa; a métrica da atividade detalhada classifica a atividade detalhada; ausência permanece não observada, nunca zero. Onde o sinal ainda mora só na tarefa, a tarefa com mais de um pai detalhado exige regra de agregação explícita : média, máximo, peso por relevância, ou recusa até desambiguar. Com fan-out médio de 1,27 e cerca de 76,8% das tarefas ligadas a exatamente um pai, não basta copiar o número da tarefa para cada atividade detalhada.

As duas metades se provam por meios diferentes, e confundi-las é o erro mais fácil de cometer aqui. Herança se verifica por reconstrução: qualquer pessoa baixa os arquivos publicados e refaz as 23.850 relações . Identidade entre catálogos não se verifica assim, porque não existe arquivo de onde reconstruí-la: ela depende de julgamento, e julgamento precisa de revisor.

Daí decorre uma exigência de desenho que vale para qualquer país que tente a mesma ligação: fato herdado e fato afirmado não podem morar no mesmo registro. A unidade nacional guarda a tarefa a que foi comparada, e a atividade detalhada entra por junção na relação publicada. Guardar as duas coisas juntas faz uma equivalência não provada herdar a autoridade da relação oficial.

Duas fronteiras que a arquitetura respeita por desenho, e não por conveniência de implementação. Primeira: a ligação internacional não é condição de existência do átomo brasileiro. Uma atividade sem par americano continua válida; obrigações como ECF, eSocial e ECD são conceitos legítimos com zero ligação externa. A ligação serve para importar medição feita fora, não para o átomo existir.

Segunda: o nó de identidade nunca carrega nota. Uso observado e capacidade penduram na ocorrência, não na identidade.

09

A medição que decidiria

Classe B por inteiro · declara um experimento, não um resultado

A tese até aqui é estrutural. Falta o teste que a confirmaria, e ele ainda não foi feito.

O que existe é um piloto diagnóstico: 0 comparações sobre uma única ocupação, com alvos congelados e critério registrado antes de rodar, julgadas por dois modelos com desempate por um terceiro.

Três leituras. Primeira: nenhuma equivalência exata em nenhum dos braços. A auditoria dedicada fecha em zero. Não há, nesta amostra, par que sobreviva ao critério de identidade.

Segunda: o braço da atividade detalhada nunca falha completamente; o da tarefa falha em um de seis. Esse é o sinal a favor da arquitetura, e é sobre cobertura, não sobre identidade. Os três casos sem relação estão todos em alvos longos, nenhum em alvo curto, exatamente como a seção 04 prevê.

Parte da vantagem, porém, é desenho e não achado. O braço detalhado julga todas as atividades detalhadas oficiais da tarefa escolhida, o que dá 0 tentativas por tarefa nesta amostra, e basta uma delas relacionar. Nenhuma foi escolhida a dedo: a política de julgar o conjunto inteiro estava registrada antes de rodar.

Terceira: nada disso é taxa. O protocolo declara que não estima população, que os juízes não são humanos e que não é elegível a publicação como evidência. A concordância entre os juízes iniciais foi de 0,00 em escala de zero a um, e apenas das 0 comparações fecharam sem desempate.

10

O que a ponte ainda não afirma

Classe A: afirmações de ausência, verificadas nos controles

fonte unidade volume aprovadas
CBO atividade do perfil 43.751 é a base
O*NET atividade detalhada (DWA) e tarefa 2.087 0 · 67 prop.
Índice Econômico da Anthropic tarefa com uso observado 2.823 0 · 9 prop.
GDPval tarefa real avaliada 220 0

A coluna da direita registra o que já está liberado como ligação de atividade. Rota por ocupação não serve de equivalência de atividade. Correspondência derivada, quando existir, aparece na página da atividade com fonte e método; nunca como autoridade oficial no lugar do texto CBO.

Falta ainda a coisa mais valiosa: a definição do que cada atividade brasileira significa na prática local , com que insumos, sob qual norma, produzindo o quê, com qual critério de aceitação. A CBO dá o rótulo. O O*NET dá uma definição americana. O meio-termo não foi escrito por ninguém. Esse vazio é o que torna o casamento difícil, e é também o ativo mais valioso que se pode construir a partir dele.

11

Quem contrata já lê ao contrário

Argumento: uso prático, sem número novo

Descrever cargo é um processo estabelecido, e ele desce do título para a pessoa: define-se o cargo, dele saem responsabilidades, delas saem competências, e as competências entram no anúncio da vaga. Cada etapa herda a anterior.

A camada de atividade inverte a ordem de leitura. Ela começa pelo que é executado, e o título passa a ser consequência de um conjunto de atos, não a origem dele.

ordem usual

  1. cargo
  2. responsabilidades
  3. competências
  4. vaga e contratação

ordem por atividade

  1. atividades executadas
  2. área compartilhada entre ofícios
  3. cargo como agrupamento de atividades
  4. competência exigida por atividade

A inversão não é preferência de método. Ela é o que permite comparar duas coisas que a linguagem de cargo mantém incomparáveis: dois títulos diferentes que executam o mesmo ato, e dois títulos iguais em empresas diferentes que executam atos distintos.

Quatro perguntas ficam respondíveis quando a unidade é a atividade e não o título. Quais atos deste cargo existem em outro cargo, o que responde por mobilidade interna. Quais atos mudaram de custo com IA, o que responde por redesenho de cargo. Quais atos a pessoa já executa fora do que o título diz, o que responde por trilha de evolução. E quais atos faltam para ela chegar a outro ofício, o que responde por requalificação.

12

Por que importa além do Brasil

Argumento: não introduz número novo

O argumento se apoia em dois catálogos nacionais, o brasileiro e o americano, mais as duas medições que se penduram no americano. Não é sobre esses lugares.

Enquanto toda medição séria ancorar em identificadores de uma única economia, cada país que quiser saber o que acontece com seu próprio mercado de trabalho precisa importar uma medição feita para outro, e engolir a distorção da tradução ocupacional.

A alternativa não é cada país refazer a medição. É haver uma camada de unidades de trabalho suficientemente esvaziada de jurisdição para ser compartilhada, e suficientemente concreta para ainda ser um ato . Nessa camada, a medição feita em qualquer lugar vale em todos os outros, e cada país conecta seu catálogo nacional uma vez.

O Brasil chega a essa posição em condição incomum. Tem catálogo próprio com granularidade fina, tem a camada compartilhada dentro do mesmo arquivo oficial e tem registro administrativo de vínculo formal, RAIS e CAGED, para amarrar medição a emprego real. Poucos países reúnem as três coisas. Falta ligá-las de um jeito que outra pessoa possa auditar e refazer.

13

Método e limites

O que cada seção anterior não pode afirmar

  • Universo de ocupações. O denominador de ocupações em todas as seções é o pin canônico do produto: CSV enumerativo do MTE baixado em 19 jul. 2026, com 2.694 códigos. Densidade, rotas e tabelas usam esse universo, o mesmo do restante do site. Não se usa o contador do pacote estruturado antigo como total de ocupações.
  • Três universos de atividade, declarados. O catálogo vigente traz 165.432 enunciados de atividade, e é esse o universo da densidade da seção 03. O arquivo de perfil publicado traz 166.408 linhas, universo das seções 05 e 06 para forma e reuso. O recorte tipado como trabalho, base do fator de repetição, tem 149.733. A diferença é de filtro e de safra, e nenhum cálculo deste ensaio cruza dois desses universos.
  • Densidade compara quem tem a camada descrita. O denominador da seção 03 são as 2.573 ocupações brasileiras com perfil de atividade e as 923 americanas com tarefa, não os catálogos inteiros. Dividir pelo catálogo inteiro achataria os dois lados por motivos diferentes: ocupação sem perfil de um lado, ocupação sem pesquisa de tarefa do outro.
  • Os juízes do piloto são modelos. Não há revisão humana independente. A concordância de 0,00 é fraca, e mede consistência de máquina sob a mesma rubrica, não acordo entre fontes independentes.
  • Os braços do piloto não são comparáveis como taxa. São comparações de um lado e do outro, porque o desenho julga o conjunto inteiro de atividades detalhadas oficiais de cada tarefa. O alvo não foi escolhido a dedo, e ainda assim o braço detalhado tem mais tentativas por construção: a diferença de cobertura entre os braços mede em parte esse desenho.
  • A amostra é frágil a uma única área. Removendo uma grande área da CBO por vez, o maior deslocamento observado numa proporção de relação é de 0,00 em share. Com 0 comparações, nenhuma proporção deste piloto suporta leitura como taxa.
  • O que a seção 06 não afirma. Medir que as duas camadas compartilhadas têm a mesma forma, e fan-out parecido (1,27 contra 1,09), não prova que seus conteúdos se correspondem. Prova que são o mesmo tipo de objeto e a mesma geometria de reuso, condições necessárias para tentar a correspondência, e as que faltavam.
  • Sinal nativo na atividade detalhada e herança multi-pai. Onde o Índice Econômico já publica modo no átomo detalhado, a classificação usa essa métrica e não herda da tarefa. O fan-out de 1,27 atividades detalhadas por tarefa só reabre o problema de agregação quando o sinal ainda mora só na tarefa. A regra (média, máximo, peso, recusa) para esse residual fica no contrato de materialização, não neste ensaio. O corte de 65% que separa automação forte de aumento é regra derivada do projeto, não classe oficial do Índice: o mesmo percentual de automação na sessão, com cortes de 50%, 60% ou 70%, muda materialmente a contagem de “automação forte” no perfil. A aba exibe o modo classificado por essa regra, não a fatia global de sessões do Índice (perto de metade automação no agregado de uso).
  • Competência não é tarefa. A ESCO, europeia, descreve atributo da pessoa: habilidade, competência, qualificação. Ela vale no eixo de competência, que o site usa em outras páginas, e fica fora deste eixo porque encadear ESCO até O*NET e daí até a CBO empilharia duas traduções não provadas.
  • Sete fontes no eixo de atividade, duas só de escala. Entram CBO, O*NET, Índice Econômico (uso por tarefa e atividade), Working with AI da Microsoft (uso por atividade intermediária), GPTs are GPTs (exposição por tarefa), SML (aptidão de aprendizado de máquina por atividade detalhada) e GDPval (capacidade em entregável). O AIOE e a classificação europeia de ocupações aparecem apenas como escala de comparação. RAIS e CAGED não entram porque operam no nível de ocupação, não de atividade. Exposição, capacidade, uso e agência não se somam num escore único.
  • Safras de O*NET não se misturam em silêncio. GPTs are GPTs usa a safra 27.2; o pin do produto é 30.3. Junção por identificador de tarefa é forte dentro da safra e exige recibo de cobertura na safra viva: tarefas retiradas ou editadas não herdam número órfão na página.
  • Uso na camada compartilhada entra por título, não por identificador. O sinal de 722 atividades detalhadas e 207 intermediárias vem do período 2026-05-01 e é resolvido para o pin por título único, porque a fonte publica identificador de safra anterior. Título de atividade detalhada é único nas 2.087 do catálogo, o que torna a rota determinística, e ela precisa ser reconferida a cada atualização de safra, porque título muda mais fácil que código.